Thursday, May 25, 2006

Pardon me

Desculpa.
Desculpa.
Que mais posso dizer?
Tive uma recaída.
Regurgitei um sentimento passado, escondido, enterrado.
Deixei ressurgir dentro de mim emoções e lembranças adormecidas.
Voltei a ingressar no sonho comum e antigo que tantas, tantas vezes acalentei.
Não! Desculpa! Não.
Não vou dizer que nunca mais, isso também não.
Mas, já o disse, não vou dizer que sim tão cedo.
Ao ouvir este som, ao olhar a imagem, o que vejo dela, o que ela me traz de volta.
Estive demasiado tempo afastado.
Demasiado tempo longe.
Não longe de algo, mas longe de mim.
Perdi-me de novo nos desejos mundanos que me rodeiam.
Nos sonhos dos outros, do mundo, do Homem.
Perdi-me nas tristezas e amarguras.
Chorei.
Escondido e rodeado de agua, chorei.
Apenas o Sol testemunhou. E talvez o Sal. E talvez a agua...
E á flor da pele vieram todas as desilusões, derrotas e fracassos.
Investimentos conscientes e inconscientes, entregas e dedicações... fúteis!
Deram em nada, nenhum retorno adviu.
Excepto um!
Sempre e só: tu!
És imenso para mim. És tanta tanta coisa.
Dormes agora.
Vi-te á pouco. Fora do teu habitat natural!
Descansa, pois mereces.
E quando te lembrares, quando estiveres so, chama-me!
Canta o meu nome como so tu sabes fazer.
Suspira levemente e eu ouvirei.
Ruge e eu atenderei.
Quando quiseres, ou quando eu não aguentar mais...






Thursday, May 18, 2006

Cinderella


Noites longas, emoções intensas, o passar do mundo, o ficar do Sol.
Palavras que tive que ouvir. Porquê?
Fiquem com elas. Fiquem com tudo!
Verdades que nunca quis perceber.
Não as quero conhecer.
Não! Não quero crescer.
Tiraram-me tudo, não me encham agora com o que eu não quero.
Não me encham com algo que me deixe ainda mais vazio.
Não.
Deixem-me sozinho e desfeito, deixem-me no chão do deserto mais quente.
Despido no arctico, coberto no Saara.
Deixem-me derreter, e de novo crescer.
Deixem-me morrer, deixem-me ser.

Thursday, May 04, 2006

whirlpool heart


A ti que caminhas por entre destroços do Universo;
Tu que empilhas as cores do arco-íris;
Ser celestial que distribuis as estrelas, para que nenhum pedacinho de céu fique mais apagado que outro...
Tu, que vives onde outros apenas almejam chegar...
Amo-te, sim!
A ti!
Única e simples na tua existência.
Passas despercebida aos olhos do mundo, mas não aos meus.
Vou-te observando de longe.
Vou caminhando em teus passos.
Por vezes a visão fica turva, por vezes se perde a razão.
Mas não será isso normal?
Que a razão se perca por entre designios do coração?
O que deve prevalecer?
O amor ou a razão?
Pois que milhares de filósofos, por milhares de anos, gastem nisso as suas mentes, queimem aí seus neurónios.
Para mim, no momento do último suspiro, prefiro olhar o passado e gritar com quais forças me habitem ainda o corpo: EU AMEI! do que ver em minha lápide escrito: ele pensou!
Pois quantas pessoas se arrependem de perseguir o amor? E quantas o fazem depois de seguir a razão?
A vida empurra-me para caminhos que desconheço.

Sei que o tempo não espera por nenhum homem. Tenha ele h ou H!
Como um pedaço de areia levado pelo vento, vamos percorrendo espaços, momentos, vidas, sem nos darmos conta. Eu dei-me conta de ti!
Tarde ou cedo? O amanhã o dirá. A tua recordação para sempre prevalecerá!
Nunca serás esquecida, nem teus ensinamentos, que mudaram minha vida.
Tenhas-te tu apercebido disso ou não. O facto é que as coisas que foram não o são!
Irónico será dizer que o que mais aprendi, não foi quando te tive, mas depois que te perdi.
Mas Amo-te. Disso eu sei!
Sei-o no dia á dia, no riso e na agonia!
Sei-o no voo dos passaros, no cantar do vento, no ribombar do Oceano!
Sinto-o no latejar das minhas veias, na corrida interna que se incendeia.
Sangra a dor até ao fim, choro lágrimas por mim.
O sábio já assim nasceu? Ou foi com o sofrimento que a ignorância perdeu?
E se a ignorância é uma benção, porquê a corrida á maldição?
Não sei nada disto.
Sei divagar sobre o nada e sobre o não!
Sei que o Oceano também é pequenino, quando é uma lágrima no olho de um menino.
E sei que o menino pode ser um homem, se um Oceano de desgraças o consomem.
Volto á praia onde me perdi, vejo o mar onde nasci.
Mergulho a cabeça para não ouvir, o grito que anseio fazer sair.
Do âmago do meu ser, da dor de olhar e não te ver.
Volto a cabeça para Norte, contemplo o rumo de minha sorte.
Penso em tudo aquilo que errei, nos passos tortos que dei...
Isso tudo agora não interessa.
Sei que te AMO! A verdade é essa!